David Bowie anuncia sua morte em último clipe "'Lazarus"

Publicado em 11/01/2016 às 14h11

David Bowei anuncia sua morte em vídeo 03 dias antes de morrer. Clipe com referência à Lázaro foi ao ar  no dia 07 de janeiro.

David Bowie moreu aos 69 anos, no dia 10/01/2016. David Bowie há 18 meses lutava contra um câncer.

A morte de David Bowie foi comunicada nesta segunda-feira em sua página do Facebook e confirmada por seu filho, Duncan Jones, que pediu privacidade para a família neste momento de luto.

'Blackstar' tem David Bowie soturno; disco cita Bíblia e 'Laranja mecânica'

Em álbum experimental, ele 'evitou rock' e buscou jazz e rap: leia faixa a faixa.
CD saiu 3 dias antes da morte, com imagens mórbidas e referências literárias.

David Bowie no clipe de 'Blackstar' (Foto: Divulgação)
David Bowie no clipe de 'Blackstar' (Foto: Divulgação)

É difícil ouvir "Blackstar", álbum lançado três dias antes da morte de David Bowie, sem caçar possíveis referências do artista ao câncer que ele tinha há 18 meses - segundo a família revelou agora. Sim, o disco é soturno e com referências à morte - não necessariamente do próprio cantor. Falando de Bowie, não dá para fazer leitura tão simples ou buscar inspiração única. O disco experimental vai jazz eletroacústico ao rap contemporâneo no som, da Bíblia a "Laranja Mecânica" nas letras.

"O objetivo era evitar o rock and roll", segundo o produtor Tony Visconti, em entrevista à revista "Rolling Stone" antes do lançamento do 25º e último disco de estúdio de Bowie. "Blackstar" tem sete músicas longas - a maior é a faixa-título, com dez minutos, e nenhuma está abaixo dos 4:30. Ele é menos pop e mais estranho do que "The next day" (2013). Mesmo mais "difícil", recebeu até mais elogios da crítica do que o álbum anterior.

Leia abaixo o faixa a faixa de 'Blackstar':

1 - "Blackstar"
A faixa-título é a mais longa, com 10 minutos, e a mais soturna do disco. A presença do saxofone dissonante do músico americano de jazz eletroacústico Donny McCaslin, marcante em todo o álbum, já é forte aqui. A letra é centrada no cenário de u "dia de execução".

Donny disse à "Rolling Stone" que a música era sobre o Estado Islâmico - o que não foi confirmado pelos outros músicos nem por Bowie, que se recusava a dar entrevistas nos últimos anos. A teoria faz sentido, já que partes da melodia lembram música árabe. O clipe tem imagens surreais que mostram um astronauta morto - difícil não ligar a um de seus personagens mais conhecidos, Major Tom.

2 - "''Tis a pity she was a whore"
Foi lançada como lado B do single "Sue (or in a season of crime)", no final de 2014. Ambas são inspiradas pela peça com o mesmo nome desta música, do dramaturgo inglês John Ford. A tragédia conta a história de uma mulher que tem um caso incestuoso com o irmão e é assassinada por ele. A faixa corta o clima mórbido da anterior e o saxofone puxa um tom um mais lascivo. "Ela segurou meu pau (...) uma pena que era uma prostituta", ele canta.

David Bowie moreu, David Bowie
David Bowie no clipe de 'Lazarus' (Foto: Divulgação)

3 - "Lazarus"
Tem formato um pouco mais "convencional" e chega mais perto (mas não muito) do rock e de um single comercial. Ele se compara aqui a Lázaro, personagem bíblico que morre e é ressucitado por Jesus. Com o clipe em que Bowie canta a música em uma cama de hospital e o verso inicial "olhe aqui em cima, estou no céu", é difícil não associar a música à sua doença. Assim, o final "eu serei livre como aquele pássaro azul" fica ainda mais marcante.

4 - "Sue (or in a season of crime)"
É a faixa principal do single de 2014, inspirada pela peça de John Ford. A melodia repetitiva e circular, sem refrão, foi a primeira a anunciar que Bowie tinha se afastado do som mais acessível de "The next day" e se aproximado do jazz. A melodia lembra bastante "Cais", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. A possibilidade de plágio chegou a ser levantada, mas foi afastada pelo próprio Bastos, em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo".

5 - "Girl loves me"
Essa faixa mostra bem porque "Blackstar" conseguiu ser classificado como um dos trabalhos mais estranhos na discografia já pouco convencional de Bowie.Parte dela é cantada no dialeto ficcional Nadsat, a mistura de russo e inglês usada pelos personagens do romance e do filme "Laranja Mecânica". Aqui se nota bem a influência de rap atual.

Segundo Tony Visconti, entre as referências da produção estiveram o grupo de rap experimental e Kendrick Lamar, rapper que também teve influência de jazz em aclamado disco "To pimp a butterfly" (2015). A gravação tem a mão de James Murphy, retribuindo a participação de David Bowie no último álbum do LCD Soundsystem.

6 - "Dollar days"
A bela jazz ballad com piano, mais curta do disco, é o melhor que um ouvinte com menos paciência para os experimentalismos de Bowie pode encontrar em "Blackstar". O narrador se mostra frágil, mas ainda se esforça para seguir sua missão ("enganá-los de novo e de novo"). Outro trecho que fica mais marcante após a morte: "Não acredite nem por um segundo que vou te esquecer". 

7 - "Falling down"
O início tem trecho de "A new career in a new town", do disco "Low" (1977). Por ser a última faixa do disco e ter imagens sobre morte, essa é a maior candidata a ficar conhecida como a "despedida do Bowie". Ele fala sobre "desenho de caveira nos pés" e "corações enegrecido e notícias com flores". A ironia é que, apesar destas referências, o que Bowie canta mesmo é sua própria falta de sentido óbvio: "Dizer não e significar sim / Isso é tudo que eu quis dizer". Então, se há uma mensagem de despedida de Bowie na música, é essa: ou não.

Capa do álbum 'Blackstar', de David Bowie (Foto: Divulgação)
Capa do álbum 'Blackstar', de David Bowie (Foto: Divulgação)

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